Entrevista | Nhanduti De Atibaia
Nhanduti de Atibaia é o nome fantasia de uma associação sem fins econômicos sediada na cidade de Atibaia, a 65 km de São Paulo, Brasil.Há algum tempo nos dedicamos ao resgate da técnica de fazer renda tenerife ou renda sol, tecelagem que se encontra em vias de esquecimento. Esta iniciativa foi reconhecida pelo PREMIO CULTURAS POPULARES da Secretaria de Diversidade e da Identidade Cultural do Ministério da Cultura, onde fomos premiadas na categoria "iniciativa da sociedade civil".
Quando começou a produzir este tipo de artesanato?
Desde 2004/2005 vimos trabalhando com o resgate da técnica tradicional da renda tenerife e fazemos nosso caminho a cada passo. A nossa produção foi se definindo conforme a nossa pesquisa e o resgate. Trabalhamos em duas vertentes. Numa forma tradicional, com fio fino utilizado para renda artesanal e com a releitura da técnica, em que utilizamos fios e fibras variados. A releitura da tecelagem ampliou nosso leque de produtos com a criação de acessorios contemporâneos.
Produtos utilizando o formato mais tradicional de renda artesanal serão lançados no segundo semestre do anos de 2010.
Qual é o material ou materiais básicos que utiliza em seus artesanatos?
Trabalhamos com fios. Desde fibras artesanais como sisal, juta e seda até fios industrializados de algodão que vão desde o cordão encerado até fio adequado a renda de agulha. Usamos preferencialmente produtos reciclados ou recicláveis, procurando minimizar ao máximo a utilização de material oneroso ao meio ambiente.
Para o formato tradicional usamos a linha tradicionalmente utilizada na renda artesanal: a linha merce crochet, 100% algodão.
Sua cor preferida?
Preferimos cores mais neutras, que implicam em menor utilização de produtos químicos no tingimento: natural, bege, cáqui... Mas dependendo da linha e do produto, utilizamos cores mais fortes.
Destaque uma qualidade pela qual gostaria que fossem identificados seus artesanatos.
Diversidade cultural. Nosso valor mais fundamental é o resgate de um saber tradicional em vias de esquecimento, uma renda artesanal em processo de extinção no mundo. Um patrimonio imaterial da cultura.
Acredita que o produto que desenvolve te permite inovar e criar enquanto materiais e desenhos?
Mesmo trabalhando com um renda de agulha tradicional, trabalhamos a técnica da tecelagem modular com liberdade. Somos rendeiras do século XXI!
Percebe de maneira positiva que outras pessoas compartam desenhos e que estes sejam trabalhados artesanalmente em diferentes formatos e materiais?
Em principio compartilhar é sempre muito produtivo. Mais ainda se os créditos são fornecidos. Todos nos tornamos melhor.
O que acha da possibilidade que te dá artesanum.com de mostrar gratuitamente seus artesanatos por todo o mundo através da internet?
A idéia da Artesanum de mostrar a produção de artesãos de várias partes do mundo é sensacional, possibilitando aos interessados o acesso a vários tipos de produtos num só local da WEB. É também o primeiro e importante passo quando olhamos do ponto de vista da solidariedade para com comunidades que têm dificuldades de acesso ao mercado.
Diria que seus artesanatos são elaborados respeitando o meio ambiente?
Nossa organização trabalha dentro dos preceitos da economia solidária, onde o respeito ao meio ambiente é um dos princípios.
Na sua opinião, qual a solução para que os artesãos que não possuem recursos tecnológicos possam desfrutar de uma loja virtual como artesanum.com?
A solidariedade e a união. Uma atuação em grupo e solidária pode ajudar a superar dificuldades e carências. Optamos pelo trabalho com um pequeno grupo de rendeiras por isso. A Artesanum também atua nesse sentido, viabilizando que o trabalho se dê a conhecer e o acesso aos mercados.
Uma reflexão sobre a transcendência do seu trabalho? (se não é própria, citar o autor)
A renda sol ou tenerife adquiriu características próprias em cada região da América Latina em que se aculturou, tornando-se um elemento de ligação entre sociedades e culturas diversas do continente. E se não quisermos viver num mundo monótono e globalizado, devemos valorizar a diversidade, reconhecendo e respeitando, através dela, cada pessoa ou grupo diverso de nós ou de nossa cultura. garantindo seu direito à expressão, à liberdade e a integrar e participar do mundo e da cultura do mundo sem ser subestimado por ser diferente.

